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10 sinais de que você já precisa de um aparelho auditivo

Por Dra. Luciana Meireles · Fonoaudióloga · CRFa 2-15184 · Praia Grande ·
Avô e neto conversando — sinais de perda auditiva

Perda auditiva quase nunca chega de uma vez. Ela vem devagar, ao longo de anos, e o cérebro vai se acostumando com o pouco que recebe. Por isso a pessoa costuma ser a última a perceber: quem nota primeiro é a família, que já cansou de repetir, e o vizinho, que já reclamou do volume da televisão.

Abaixo estão os sinais que mais aparecem no consultório aqui no Boqueirão. Se você reconhecer três ou mais, já vale marcar uma avaliação.

Os 10 sinais mais comuns

1. Você escuta, mas não entende

Esse é o sinal número um, e o mais mal interpretado. A pessoa diz eu ouço bem, só não entendo o que falam. Isso não é falta de atenção: é a assinatura clássica da perda auditiva de agudos, que come justamente as consoantes que dão sentido à palavra.

2. Confunde palavras parecidas

Trocar chave por chove, fica por rica. As vogais continuam chegando, mas os sons finos — o s, o f, o ch — se perdem no caminho.

3. Em lugar barulhento, desiste da conversa

No silêncio de casa tudo vai bem. No restaurante, no aniversário, no quiosque da praia, você sorri e concorda sem saber do que estão falando. Muita gente começa a evitar esses lugares e nem percebe que está evitando.

4. O volume da TV virou assunto de família

Se você já ouviu abaixa isso mais de uma vez, ou se colocou legenda em tudo, esse é um dado objetivo. O aparelho de TV não mudou; a referência de volume mudou.

5. Pede para repetir várias vezes por dia

Como?, o quê?, fala de novo. Quando isso vira hábito, é sinal de que o esforço para entender já está alto o tempo todo.

6. Cansaço no fim do dia sem motivo aparente

Entender com pouca informação exige que o cérebro trabalhe dobrado o dia inteiro, completando o que faltou. Esse esforço contínuo cansa de verdade.

7. Dificuldade no telefone

O telefone corta parte das frequências e tira a leitura labial do jogo. Quem está com perda inicial costuma sentir primeiro nas ligações.

8. Zumbido no ouvido

Aquele apito ou chiado que aparece principalmente no silêncio. Zumbido não é a mesma coisa que perda auditiva, mas os dois andam juntos com muita frequência e merecem avaliação.

9. Não localiza de onde vem o som

Alguém chama e você olha para o lado errado. Localizar o som depende de os dois ouvidos trabalharem juntos; quando um está pior que o outro, essa referência se perde.

10. Você vem se afastando das conversas

Este é o mais sério e o menos falado. A pessoa começa a falar menos na mesa, deixa de ir ao encontro, diz que está cansada. Não é desânimo: é o custo de conviver com uma conversa que ficou difícil.

Faça este teste em casa

Marque com que frequência cada situação aconteceu com você na última semana e some os pontos.

Situação do dia a diaNuncaÀs vezesSempre
Peço para repetirem o que foi dito012
Tenho dificuldade em lugar com barulho012
Reclamam do volume da minha TV ou rádio012
Tenho dificuldade ao telefone012
Ouço zumbido ou apito no ouvido012
Evito lugares cheios por causa da conversa012

Como ler o resultado: de 0 a 2 pontos, provavelmente está tudo bem, mas vale acompanhar. De 3 a 6 pontos, já existe algo atrapalhando e uma avaliação vai dizer o que é. Acima de 6, a dificuldade já está afetando a sua rotina e a avaliação não deveria esperar. Este teste não substitui exame: ele só ajuda você a decidir se é hora de marcar.

Por que esperar cobra caro

Existe uma ideia de que aparelho auditivo é coisa para quando a pessoa já não ouvir mais nada. É o contrário. Quanto mais tempo o ouvido passa sem estímulo, mais o cérebro perde a prática de reconhecer os sons da fala, e mais trabalhosa fica a adaptação depois. A Organização Mundial da Saúde relaciona a perda auditiva não tratada ao isolamento social e à perda de qualidade de vida.

Quem trata cedo costuma se adaptar mais rápido e usar o aparelho com mais naturalidade. Quem espera dez anos leva mais tempo para reaprender.

O que acontece quando você marca

Muita gente adia por não saber o que esperar. O caminho aqui é simples e sem surpresa:

Sem pressa e sem pressão de venda. Se não for a hora, tudo bem: você sai sabendo o que tem, e isso já é mais do que a maioria sabe.

Perguntas frequentes

Como saber se eu tenho perda auditiva?

O sinal mais confiável não é deixar de ouvir, é deixar de entender. Se você escuta que a pessoa falou mas precisa pedir para repetir, se confunde palavras parecidas ou se só tem dificuldade quando há barulho em volta, isso já indica perda auditiva. A confirmação vem com uma avaliação auditiva completa.

Perda auditiva tem cura?

Depende da causa. Perdas ligadas a cera, infecção ou problema no ouvido médio muitas vezes são tratadas clinicamente. Já a perda ligada à idade ou à exposição a ruído, que é a mais comum, não se reverte — mas se compensa muito bem com aparelho auditivo bem adaptado.

Com que idade a perda auditiva começa?

Não há idade fixa. A perda ligada à idade costuma aparecer de forma gradual a partir dos 50 ou 60 anos, mas exposição a ruído, alguns medicamentos e questões de saúde podem antecipar isso. Quem trabalhou com máquina, som alto ou obra deve se avaliar mais cedo.

Esperar para tratar faz diferença?

Faz. Quanto mais tempo o ouvido fica sem estímulo, mais o cérebro perde a prática de reconhecer os sons da fala, e mais trabalhosa tende a ser a adaptação depois. Além disso, a Organização Mundial da Saúde associa a perda auditiva não tratada ao isolamento social e à piora na qualidade de vida.

A avaliação auditiva dói?

Não. É um exame indolor, feito em cabine, em que você apenas sinaliza quando ouve os sons. Leva menos de uma hora e você recebe o resultado explicado na mesma consulta.

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